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A Mulher sim Pode!!!

Com esta afirmação inauguramos um momento importante da nossa historia, um episódio inédito e um evento singular, uma mulher “Presidenta”.

Mulheres e homens são diferentes na forma de exercer o poder? Não sempre, sabemos de mulheres autoritárias e homens sensíveis na prática do comando mas o que esta em questão não é um tema de gênero senão uma reflexão mais ampla sobre uma ética do feminino que instaura outras formas de convivência.

Sempre conhecimos o feminino como um adjetivo aplicado as mulheres: doce, delicado amável, poder pensar-lo como substantivo seria entender que este gesto “feminino” esta referido a uma lucidez de consciência e a um princípio de conexão, trata-se de uma diferença fundamental em relação as estruturas patriarcais definidas pelas hierarquias, a dominação e o submetimento dos mais fracos.

Sabemos que existiram civilizações tolerantes, pacíficas e prósperas, Humberto Maturana as chama de matrísticas e antropólogas famosas como a Marija Gimbutas as denominam ginocêntricas, o traço fundamental destes agrupamentos era a predominância do coletivo, da solidariedade e do bem comum, a participação de todos em oposição a violência, a exclusão e as hierarquias.

Os símbolos encontrados pelos arqueólogos em relação a estas comunidades são eloqüentes:a lua,a borboleta a serpente e a vulva da mulher, foram grupos que não conheceram as fortificações militares nem as armas de guerra.

Homens e mulheres nos tornamos patriarcais e androcêntricos separando o mundo público do privado,no primeiro exercitamos as virtudes do guerreiro o individualismo feroz a luta pelo domínio e o desprezo pelos interesses coletivo,no segundo encontramos o que algumas sociólogas chamam qualidades diferenciais femininas,a tolerância,o acolhimento e a ética do cuidado.

Patriarcalizamos o mundo privado, mas não feminizamos o mundo público,
Feminizar a sociedade seria transformar a forma de fazer política, de pensar a economia e o desempenho da justiça.

A proposta universa “Todos os homens são iguais...” sempre foi uma abstração pensada em masculino.

Hoje nos interessa o conceito de cidadania diferenciada, uma proposta amplamente discutida nas universidades européias e elaborada entre outras, pela professora Victoria Camps da Universidade de Barcelona.

Esta proposta se sustenta no princípio de cidadania diferenciada ou seja uma discriminação positiva pensada para favorecer os excluídos.
Transladar para o mundo público as virtudes ditas femininas ou os chamados valores suaves é um desafio ético que nos leva a pensar o lugar do trabalho na nossa vida, interrogar as ciências e as artes e refletir sobre a mídia e a propaganda.

Michele Bachelet, médica pediatra que governou o Chile de 2006 até março de 2010 recentemente foi premiada pelo parlamento alemão pelo mérito de exercer a “carinhocracia” quer dizer conduzir o pais, com carinho tolerância e esmero.

A Creta Minóica foi o ponto culminante de uma civilização considerada ginocêntrica, tecnologicamente desenvolvida com viadutos e calçadas pavimentadas onde as mulheres eram condecoradas como capitães de barco não conheceram a guerra e segundo o arqueólogo James Mellart sua vida pública estava impregnada pelo amor a paz,horror a tirania e respeito pela lei.

A mulher sim pode!!! Com certeza mas o desafio seria o de romper paradigmas e se desapegar de um modelo de desempenho masculinizado que sabemos esta em declínio.

Administrar “em feminino” mudar o tom a cadência e o diapasão transformando nossos espaços coletivos e o desempenho do poder em um gesto de respeito pelas diferenças, justiça sem olhos vendados,cuidado atenção e esmero pela vida cotidiana de todos os cidadãos.

Marisa Sanabria
Psicóloga crp. 04 5350
Coordenadora do GT. O Feminino Questão de Diferença.
Mestre em Filosofia U.F.M.G.