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Essa Mulher em que nos Transformamos

Quem somos Hoje? Ensinamentos da passagem dos anos....

Sabemos que hoje algumas mulheres começam a pensar o trânsito da menopausa a maturidade como uma progressiva aquisição de sabedoria serenidade e bem estar;mas para nossa cultura ainda é um episódio assustador que é preferível esconder e não revelar e um fato que para realizar esta fantástica viagem necessitamos de um rumo para seguir, bússola confiável e mapas que nos indiquem os obstáculos e os possíveis becos sem saída.

Para ter uma maturidade sadia e harmônica precisamos fazer alguma coisa além de ter nosso corpo e mente em funcionamento devemos prestar atenção as necessidades emocionais, psíquicas e espirituais que não têm nada a ver com um propósito religioso mas que determine e re-signifique o sentido da nossa caminhada.

As que desejem alcançar a paz, o apaziguamento interno a sabedoria e alegria precisam fazer essa viagem interior da heroína agora em outro momento da vida e com outros propósitos que não mais o da conquista,a luta ou a imposição senão a reconciliação, o entendimento e a lucidez de perspectiva .

“Uma manha encontrei no espelho uma senhora velha que me trazia algo que não me parecia um presente, ela me confrontava com o medo..”

È preciso compreender que o envelhecimento têm um sentido, não se trata de uma compreensão intelectual trata-se de retomar o mundo interno é a própria história porque é alí onde esta a chave de nosso futuro com bem estar.

Jung vai recorrer ao curso do sol como uma parábola numa palestra que deu em 1930 com o título a Mutação da Vida “ Às doze horas começa o pôr –do sol-. E o por-do-sol é a mudança de todos os valores e ideais da manhã”na mesma conferência ele disse: “ O pior em todas essas coisas é que pessoas cultas e instruídas estão vivendo sem conhecer as possibilidades dessas mudanças...Nos chegamos á tarde da vida profundamente despreparados;pior ainda,nós o fazemos com a falsa suposição da veracidade das verdades e ideais que tínhamos até então...”

Para Rudiger Dahlque chegamos ao limite exterior da mandala,e vivemos essa transição como uma catástrofe, esta palavra que vêm do grego significa regresso temos a escolha de compreender esse espaço de tempo como ponto de regresso e de realizar voluntariamente uma mudança ou de nos colocarmos contra ela e involuntariamente sofrermos uma catástrofe no sentido comum do termo.

Para muitos autores o desafio de esta etapa têm a ver com o balanço da vida, as coisas inacabadas, os relacionamentos não vividos os propósitos não realizados e sobre tudo o desafio de jogar lastro fora;se até agora se tratou de construção,a partir daqui trata-se de desapegar-se do que possa impedir a alma seu caminho para casa.Nós os modernos temos muita dificuldade com largar posições, lugares e propriedades.

As mulheres temos algumas tarefas para encontrar um envelhecimento pleno e feliz: a primeira bastante estranha parece surgir por volta dos quarenta anos, muito antes da chegada do envelhecimento, cada uma de nós deve aceitar intelectual e emocionalmente a realidade da morte pessoal.como segunda tarefa temos que nos perguntar como vivemos entender que fizemos o melhor aceitando frustrações ou desvios como parte da estrada total, não faz sentido esconder de nós mesmas certos temas porque se instala a sensação de fracasso, certas coisas não serão diferentes e preciso aceitar,se conciliar,e entender.

A maturidade nos traz nosso lado escuro podemos nos transformar em pessoas críticas, sarcásticas, amargas,podemos perder o tacto, a paciência e o cuidado para dizer as coisas e nos transformamos na metáfora de bruxa má, é um contraste com o arquétipo da mulher sabia, serena que atua como ponto de orientação e equilíbrio e coloca sua história de vida como referência de experiência e aprendizagem.

Outra tarefa é entender que precisamos ser uma boa mãe para nós mesmas, as mulheres na maturidade pensam que não precisam de mãe, mas no interior de cada uma reside uma força de bem estar que temos que conhecer e explorar, porque nos ajuda a ter a sensação de ser “eu mesma” com liberdade.

E por fim nos cabe o entendimento de que seguir crescendo e aprendendo é um processo continuado e não um curso breve e uma oportunidade para a renovação para deixar passar algumas coisas e se conectar com outras.

Jean Shinoda Bolem em seu simpático livro “Las brujas no se quejan” diz que as mulheres têm algumas coisas para cultivar,para ser mais felizes, a ajudar com um pequeno grão de areia a construir um mundo melhor, uma anciã e uma mulher que possui sabedoria compaixão,humor,vitalidade e coragem,e consciente de ser ela mesma e sabe tomar atitudes sempre que se faz necessário. Uma mulher não se transforma em uma anciã-bruxa simplesmente pela idade cronológica e importante abandonar as queixas e lamentações porque esta etapa da vida pode ser especialmente fértil para desfrutar de quem somos e poder empregar o tempo e a energia em aproveitar novas oportunidades,as anciãs-bruxas possuem a capacidade de alterar as coisas de aconselhar, animar e facilitar o crescimento de outras pessoas, podem ser uma orientação de cura.

O arquétipo da anciã interior é uma presença latente na psique de todas as pessoas,um potencial, um talento inerente que precisa ser reconhecido e colocado ao serviço da vida;as anciãs-bruxas são atrevidas, confiam em suas próprias percepções,não suplicam mas meditam, escolhem seu caminho com o coração,possuem a coragem de quem defende as coisas importantes, falam a verdade com compaixão,escutam o próprio corpo e se reinventam a sim mesmas em função de suas necessidades aproveitam o sabor e a boas coisas da vida.

Somos as mulheres que envelhecem com oportunidades antes nunca pensadas, podemos ser sexualmente ativas,desfrutar do próprio dinheiro quando é possível estudar e fazer escolhas pessoais impossíveis para outras gerações, nos relacionar com outras mulheres, manter alianças que tragam segurança carinho confiança e acolhimento.

Pensando nas fases da lua e nas etapas da vida da mulher:crescente,cheia,minguante,percebemos que a lua minguante vai perdendo definição até desaparecer y se converter na lua nova,esta escuridão é o mistério final o término da etapa da anciã em nossas vidas.

Marisa Sanabria Psicóloga crp 04.5350
Mestre em Filosofia UFMG

Referências:

Thoma,s Anng.Esa mujer em que nos convertimos ,mitos cuentos y leyendas sobre las enseñanzas de La edad.Barcelona,Paidós,1999.
Shinoda Bolem,Jean.Las brujas no se quejan,um manual de sabiduría concentrada.Barcelona,Kairós,2005.
Dahlke,Rüdiger.As crises da vida como oportunidades de desenvolvimento,fases de transformação e seus sintomas de doenças.Cultrix,São Paulo,2005.